O que é Bitcoin? Veja como comprar e quais são os principais riscos e cuidados no Brasil!

Bitcoin é um ativo digital descentralizado que permite transferir valor pela internet sem depender de uma autoridade central.

Clique em um dos tópicos e entenda como funciona, quais são os riscos e o que avaliar antes de comprar BTC:

  1. O que é Bitcoin?
  2. Como funciona o Bitcoin?
  3. O que é mineração de Bitcoin?
  4. Quantos Bitcoins existem?
  5. Por que o Bitcoin tem valor?
  6. Quais as vantagens do Bitcoin?
  7. Quais as desvantagens e riscos do Bitcoin?
  8. Como comprar Bitcoin?
  9. Vale a pena investir em Bitcoin?
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O que é Bitcoin?

Bitcoin é uma rede de pagamentos digitais e também o nome do ativo utilizado nela, identificado pela sigla BTC. Seu funcionamento é baseado em criptografia e em uma rede ponto a ponto, ou peer-to-peer, na qual computadores independentes verificam e registram as operações.

Diferentemente do real, do dólar ou de outras moedas emitidas por governos, o Bitcoin não possui uma autoridade central responsável pela emissão. No Brasil, inclusive, a legislação enquadra esse tipo de recurso como ativo virtual, e não como moeda nacional ou estrangeira.

Outro detalhe é que você não precisa comprar 1 Bitcoin inteiro. Cada BTC pode ser dividido em unidades menores, permitindo investir valores bem inferiores à cotação de uma moeda completa.

Quem criou o Bitcoin?

O Bitcoin foi apresentado por uma pessoa ou grupo que utilizou o pseudônimo Satoshi Nakamoto. A identidade real de Satoshi nunca foi confirmada publicamente.

Em 31 de outubro de 2008, Nakamoto publicou o documento Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System, que descrevia um sistema de dinheiro eletrônico capaz de funcionar diretamente entre usuários, sem uma instituição financeira intermediando cada pagamento.

História e evolução do Bitcoin

O documento que apresentou o Bitcoin surgiu em 2008, enquanto a primeira versão pública do software, Bitcoin 0.1, foi lançada em janeiro de 2009. A partir daí, desenvolvedores e usuários passaram a manter e aprimorar o projeto de código aberto.

Satoshi deixou de participar publicamente do projeto posteriormente. Isso não encerrou a rede, porque o protocolo não depende de uma pessoa específica para continuar funcionando. O código pode ser revisado e desenvolvido pela comunidade, mas alterações só ganham efeito prático conforme são adotadas pelos participantes da rede.

Como funciona o Bitcoin?

O Bitcoin funciona como um grande registro público de transações. Quando alguém envia BTC, a operação é assinada digitalmente, transmitida para a rede e, após sua validação, incluída em um bloco de transações.

As carteiras de Bitcoin utilizam chaves privadas, que funcionam como a prova criptográfica necessária para autorizar uma movimentação. Quem possui acesso à chave privada consegue controlar os BTC associados a ela.

Por isso, possuir Bitcoin não significa ter arquivos de moedas armazenados no celular ou computador. A carteira guarda as informações necessárias para você provar que pode movimentar determinado saldo registrado na rede.

 

Blockchain

A blockchain é o registro que mantém o histórico das transações do Bitcoin. Os dados são organizados em blocos conectados em sequência, formando uma cadeia protegida por regras criptográficas.

Quando novos blocos são adicionados, alterar uma transação antiga se torna progressivamente mais difícil, pois seria necessário refazer o trabalho computacional daquele bloco e dos blocos seguintes e superar a cadeia reconhecida pela rede.

Isso ajuda a evitar problemas como o gasto duplo, situação em que alguém tentaria utilizar os mesmos bitcoins em duas transações diferentes.

O que é mineração de Bitcoin?

A mineração é o processo utilizado para confirmar transações e adicionar novos blocos à blockchain. No Bitcoin, esse mecanismo recebe o nome de Proof of Work, ou prova de trabalho.

Os mineradores utilizam equipamentos computacionais para disputar a criação de um novo bloco. Quem consegue cumprir as regras do protocolo pode receber a recompensa do bloco e as taxas pagas pelas transações incluídas nele.

Mineração não é uma forma simples ou garantida de ganhar dinheiro. A atividade envolve equipamentos, energia, concorrência e custos operacionais, enquanto a recompensa por bloco diminui periodicamente.

Quantos Bitcoins existem?

O protocolo estabelece um limite de aproximadamente 21 milhões de bitcoins. A emissão ocorre gradualmente por meio da mineração e deve continuar em ritmo cada vez menor até perto de 2140.

Em julho de 2026, a quantidade em circulação já havia ultrapassado 20 milhões de BTC. A oferta efetivamente disponível para negociação pode ser menor, porque bitcoins cuja chave privada foi perdida podem ficar inacessíveis permanentemente.

Por que o Bitcoin tem valor?

O Bitcoin tem valor porque há pessoas e instituições dispostas a negociá-lo. Seu preço resulta da relação entre oferta e demanda, assim como acontece com vários outros ativos negociados no mercado.

Alguns fatores ajudam a explicar essa demanda: limite de emissão, possibilidade de transferir valores globalmente, funcionamento independente de uma autoridade central e expectativa dos investidores sobre o uso futuro da rede.

Por outro lado, Bitcoin não gera juros automaticamente, não representa participação em uma empresa e não possui um governo garantindo sua cotação. Isso ajuda a explicar por que seu preço pode oscilar de forma intensa.

Quais as vantagens do Bitcoin?

Entre as características que tornam o Bitcoin diferente de investimentos e meios de pagamento tradicionais estão a oferta limitada, a possibilidade de transferência direta pela internet e o funcionamento da rede sem uma instituição central controlando as transações.

Veja os principais pontos:

CaracterísticaPossível vantagemCuidado necessário
Rede descentralizadaNão depende de uma instituição única para funcionarO usuário assume mais responsabilidade pela segurança
Oferta limitadaEmissão máxima próxima de 21 milhões de BTCEscassez não garante valorização
Transferência digitalPermite enviar valores pela rede BitcoinExistem taxas e tempo de confirmação
Negociação globalMercado funciona continuamenteO preço pode oscilar rapidamente
AutocustódiaVocê pode controlar suas próprias chavesPerder a chave ou frase de recuperação pode significar perder o acesso

Quais as desvantagens e riscos do Bitcoin?

O principal risco para quem compra Bitcoin é a volatilidade. O valor pode subir bastante, mas também sofrer quedas relevantes, sem garantia de recuperação em determinado prazo.

Também existem riscos relacionados a golpes, invasões de contas em plataformas, erros ao enviar recursos e perda das chaves usadas em carteiras próprias.

Diferentemente da poupança e de determinados produtos bancários, o Bitcoin não possui cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A proteção do FGC pode alcançar até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição ou conglomerado para produtos elegíveis, como a poupança.

Como comprar Bitcoin?

Você pode comprar Bitcoin por meio de empresas que oferecem negociação de criptoativos e, em alguns casos, por instituições financeiras que disponibilizam esse tipo de investimento.

Um caminho comum para iniciantes é:

  1. escolha quanto do seu dinheiro você pretende destinar ao Bitcoin;
  2. pesquise a instituição utilizada para realizar a compra;
  3. confira taxas, formas de saque e regras de custódia;
  4. proteja a conta com senha forte e autenticação em dois fatores;
  5. envie o dinheiro e faça a ordem de compra de BTC;
  6. decida se deixará os bitcoins sob custódia da empresa ou os transferirá para uma carteira própria;
  7. guarde comprovantes de compra, venda e transferências para controle pessoal e tributário.

No Brasil, o Banco Central é responsável por regular, autorizar e supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais, e a Resolução BCB nº 520/2025 disciplina o funcionamento dessas empresas. Ao escolher uma plataforma, confira sua situação perante o regulador e as regras aplicáveis ao período de transição.

Confira as informações do Banco Central sobre a regulação de ativos virtuais

Atenção: desconfie de empresas ou pessoas que prometem rendimento fixo ou lucro garantido com Bitcoin. A valorização do ativo não pode ser prevista dessa forma.

Vale a pena investir em Bitcoin?

Bitcoin pode fazer sentido para quem entende que está comprando um ativo de alto risco e alta oscilação e consegue suportar perdas sem comprometer as próprias finanças.

Já não costuma ser adequado para dinheiro destinado à reserva de emergência, contas dos próximos meses ou objetivos que não podem ser adiados. Também não faz sentido assumir dívida ou comprometer gastos básicos para comprar criptoativos.

Antes do aporte, considere principalmente seu objetivo, prazo, tolerância às oscilações e quanto do patrimônio ficaria exposto ao ativo.

Como investir em Bitcoin com segurança?

Não existe forma de eliminar o risco do Bitcoin, mas algumas práticas reduzem a chance de transformar uma oscilação normal do mercado em um problema financeiro ou de segurança.

Evite concentrar todo o patrimônio no ativo, não invista dinheiro emprestado, ative autenticação em dois fatores nas plataformas e confira o endereço da carteira antes de realizar uma transferência. Se estiver fazendo seu primeiro saque, uma pequena transferência de teste pode ajudar a evitar erros.

Também mantenha registros das compras e vendas. Além de facilitar o acompanhamento do investimento, esses documentos podem ser necessários para cumprir obrigações fiscais.

Bitcoin ou poupança?

Bitcoin e poupança têm objetivos e riscos muito diferentes, então comparar apenas qual rendeu mais em determinado período pode levar a uma decisão equivocada.

CritérioBitcoinPoupança
RendimentoNão é previsível; depende da cotaçãoSegue regra definida em legislação
Risco de preçoAltoBaixo
Possibilidade de perdaSim, pela queda da cotação ou problemas de custódiaBaixa, respeitadas as condições do produto
FGCNão possuiPossui, dentro dos limites aplicáveis
LiquidezPode ser negociado continuamente, sujeito a taxas e mercadoPermite resgate, mas o rendimento segue a data de aniversário
Perfil de usoExposição a um ativo de maior riscoReserva conservadora e objetivos de menor risco
TributaçãoDepende da operação e da localização/custódiaRendimentos da poupança são isentos para pessoa física

Pelas regras atuais, a poupança rende TR mais 0,5% ao mês quando a meta da Selic supera 8,5% ao ano. Se a meta for igual ou inferior a 8,5%, a remuneração adicional corresponde a 70% da meta da Selic anual, mensalizada, além da TR.

Para quem não pode correr o risco de ver o dinheiro cair justamente quando precisar dele, a poupança tem um comportamento bem mais previsível. Bitcoin ocupa uma posição diferente dentro de uma carteira.

Onde guardar seu Bitcoin?

Depois da compra, você precisa decidir quem ficará responsável pelas chaves que dão acesso aos bitcoins.

Na custódia por terceiros, os BTC permanecem em uma plataforma ou instituição. É mais simples para o iniciante, mas significa depender dos controles de segurança e das regras daquela empresa.

Na autocustódia, você utiliza uma carteira na qual controla as próprias chaves. Isso reduz a dependência de terceiros, mas transfere a responsabilidade de segurança para você.

As carteiras também costumam ser divididas entre hot wallets, conectadas à internet, e cold wallets, que mantêm as chaves privadas fora de um dispositivo conectado continuamente. As carteiras de hardware são um exemplo de armazenamento offline voltado à proteção contra ataques pela internet.

Bitcoin no Brasil e no mundo

O Bitcoin pode ser negociado no Brasil, mas isso não significa que ele seja uma moeda oficial do país. A Lei nº 14.478/2022 criou diretrizes para a prestação de serviços relacionados a ativos virtuais, enquanto o Banco Central recebeu competência para regular e supervisionar as prestadoras desse mercado.

A regulamentação avançou com normas como as Resoluções BCB nº 519 e nº 520, de 2025, que tratam dos processos de autorização e do funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais.

Fora do Brasil, o Bitcoin pode ser transferido pela mesma rede independentemente do país de origem dos usuários. Já as regras sobre empresas, impostos e uso de criptoativos variam conforme cada jurisdição.

 

Declaração de Bitcoin no Imposto de Renda

Quem possui ou negocia Bitcoin precisa prestar atenção a duas obrigações diferentes: a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda e a prestação de informações sobre determinadas operações com criptoativos.

Nas regras do IRPF 2026, referentes ao ano-calendário de 2025, cada espécie de criptoativo com custo de aquisição igual ou superior a R$ 5 mil deve ser informada em Bens e Direitos. Para Bitcoin, a Receita utiliza o Grupo 08 — Criptoativos, código 01 — Bitcoin (BTC). O ativo deve ser declarado pelo custo de aquisição, e não pela cotação atual.

Também é necessário informar dados como quantidade e local da custódia. Em caso de carteira própria, essa condição deve constar na declaração.

As obrigações referentes às transações mudaram em julho de 2026, quando passou a valer a DeCripto, criada pela Instrução Normativa RFB nº 2.291/2025. A Receita informa que as operações realizadas a partir desse mês passaram a seguir o novo modelo.

Para pessoas físicas ou entidades residentes no Brasil que operem por prestadora no exterior, plataforma descentralizada ou sem uma prestadora, a obrigação de informar pela DeCripto se aplica quando as operações do mês, individualmente ou somadas, ultrapassam R$ 35 mil.

Atenção: esse limite se refere à obrigação de prestação de informações e não deve ser confundido automaticamente com regras de tributação sobre ganhos.

A tributação também pode mudar conforme a localização e a forma de custódia. Ativos virtuais custodiados ou negociados por instituições no exterior podem entrar nas regras de aplicações financeiras no exterior da Lei nº 14.754/2023.

Como as regras tributárias dependem da situação de cada operação, guarde comprovantes de aquisição, venda, transferências e taxas e consulte as orientações atualizadas da Receita antes de declarar.

Consulte as regras da Receita Federal para criptoativos

Perguntas Frequentes

A rede Bitcoin utiliza criptografia e prova de trabalho para validar transações, mas isso não elimina riscos para o usuário. Golpes, perda de chaves e invasões de contas em serviços de terceiros podem causar prejuízos.

Sim. Você pode comprar apenas uma fração de Bitcoin, sem precisar pagar o preço de um BTC inteiro. O valor mínimo da compra depende das condições da plataforma utilizada.

A negociação de Bitcoin é permitida, e a legislação brasileira estabelece regras para prestadores de serviços de ativos virtuais. O Bitcoin, porém, não é a moeda oficial brasileira e é tratado como ativo virtual.

Não. Bitcoin não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. O FGC cobre produtos financeiros específicos, como depósitos em poupança, dentro dos limites previstos pelo fundo.

Depende do valor e da situação do contribuinte. No IRPF 2026, criptoativos da mesma espécie com custo de aquisição a partir de R$ 5 mil devem ser informados em Bens e Direitos, seguindo as regras da Receita Federal.

O protocolo limita a emissão a aproximadamente 21 milhões de BTC. A criação de novas unidades diminui a cada halving e deve continuar gradualmente até perto de 2140.

Maria Luiza Garcia

Por Maria Luiza Garcia

Maria Luiza é graduanda de Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MG). No Minha Conexão, atua como estagiária de conteúdo e busca simplificar a escolha dos melhores serviços para o seu dia a dia.