A neutralidade da internet, quebrada pela decisão da FCC – Federal Communications Commission, dos Estados Unidos, pode não gerar qualquer impacto na legislação de outros países, como acontece com o Brasil, onde existe uma legislação específica.

A quebra da neutralidade pode até ser usada como tendência para alguns países, mas, para o público brasileiro ainda não é algo com que devamos nos preocupar, muito embora as empresas de telefonia estejam fazendo o seu lobby para fazer com que aqui as coisas sejam iguais às dos norte-americanos.

Evidentemente, todas as mudanças ocorridas na internet nos últimos anos fizeram com que a lucratividade das empresas de telefonia fosse reduzida.

Hoje, por exemplo, por que uma pessoa vai usar um telefone fixo, se pode usar o WhatsApp ou o Skype para se comunicar, sem gastar nada? Além disso, nos aplicativos é possível falar ao vivo, em vídeo, e não apenas através do sistema de voz.

Assim, é muito mais fácil usar qualquer desses aplicativos, acessíveis a todos os usuários de internet, do que usar os créditos do celular ou pagar a conta no final do mês do telefone fixo.

Uma das razões para o lobby das empresas de telefonia é o fato de que seus investimentos continuam alto para manter a estrutura criada, mas isso não é mais possível diante da crescente necessidade de todos para ter acesso à comunicação.

Depois da quebra da neutralidade da internet nos Estados Unidos, o receio se espalhou pelo mundo: uma lei que dê certo para os americanos, pode ser aplicada no Brasil.

Mas, é preciso entender que essa foi uma decisão política, fazendo parte dos compromissos de campanha do presidente Trump e ele cumpriu essa promessa mesmo sem considerar que a maior parte dos seus próprios eleitores continua favorável à neutralidade da rede, mantendo a internet como ela vem funcionando até hoje na maior parte do mundo.

O que todos devem entender é que o fim da neutralidade da rede não vai oferecer apenas resultados econômicos para as empresas de telecomunicação, mas também vai prejudicar a comunicação e elevar o seu custo para todos os usuários.

Além disso, a quebra da neutralidade na rede vai gerar novos grandes riscos, e um deles é o controle que as operadoras de comunicação terão sobre tudo o que circula na rede. Com isso, estaríamos recebendo apenas aquilo que as operadoras iriam permitir, criando bolhas de comunicação em todo o Brasil, impedindo o livre acesso à informação.

Além disso existe também o risco de criação de filtros e de bloqueios do fluxo de tráfego por motivos culturais, políticos ou religiosos. Ou seja, estaria sendo implantada a censura na internet, atendendo a interesses de grupos comerciais e políticos, sem respeitar o princípio básico da liberdade de expressão e de comunicação.

A neutralidade da internet é que possibilita que tenhamos acesso a tudo o que queremos ver, conhecer, ouvir ou saber. Foi criada dessa forma e assim deve continuar. De outra forma, teríamos um supermercado onde seria necessário pagar – e caro – para ter acesso à informação.

Vale lembrar ainda que o Brasil não possui banda larga em grande parte do território. Se você é um dos felizes possuidores de banda larga, não se esqueça de sempre verificar a velocidade de dados que está recebendo.