Muitos vídeos na internet são considerados inadequados, apresentando publicidades incisivas e desafios perigosos e, diante disso, os pais devem procurar monitorar o que seus filhos estão vendo.

O Movimento Infância Livre de Consumismo (Milc) constatou que, quando mais bloqueios são feitos, maiores são as opções para chegar ao público infantil. Dessa forma, famílias e associações estão criando estratégias para filtrar os que seus filhos acessam.

Isso acontece também porque o Ministério da Justiça não prevê a criação de uma classificação indicativa para o conteúdo virtual. As críticas envolvem principalmente vídeos de unboxing, ou seja, de abertura de presentes ou embalagens para fazer publicidade do produto, de consumo de doces e guloseimas e de desafios considerados perigosos.

O Milc foi criado por três mães em 2012, dedicando-se atualmente a campanhas e mobilizações contra o consumismo na internet e reunindo dicas de páginas virtuais adequadas.

Para o movimento, uma situação ideal seria o YouTube, por exemplo, fazer uma curadoria de canais com conteúdo para crianças e adolescentes, classificando-os por faixa etária.

Isso porque é impossível boicotar a tecnologia e, por mais que os pais tentem fugir, o envolvimento das crianças é praticamente inevitável. O mecanismo dos youtubers é o mesmo que chama a atenção dos adultos, como, por exemplo, nas pegadinhas e videocassetadas.

O Milc também destaca que o YouTube deveria adotar um sistema automático de classificação indicativa com base em informações oferecidas pelos canais. Atualmente, o conteúdo para maiores de 18 anos somente pode ser acessado por meio de login que comprove a idade.

Entre os 100 canais brasileiros com mais visualizações, 52 são produzidos para crianças com até 12 anos, enquanto que 6 dos 10 mais populares são focados nessa faixa etária. Os 500 mais vistos pelo mesmo público supera 117 bilhões de visualizações.

Um fenômeno mais recente é a mudança de conteúdo para acompanhar o amadurecimento do público. Uma geração que cresceu assistindo unboxing e Galinha Pintadinha, encontra-se hoje no teen, que é a categoria que mais cresce.

Muitos criadores de canais do YouTube são influenciadores digitais, tanto em comportamento quanto em classe social ou aparência. O instituto Milc considera que pode haver alguma coisa de danosa na reprodução de modelos já idealizados, oferecendo novas visões que não são interessantes para o público infantil.

Assim, é importante que os pais conheçam os canais incentivem seus filhos a fazer uma leitura crítica do que estão assistindo. É preciso lembrar que as novas gerações não dominam toda a tecnologia e o fato de usar muito não significa que a criança tem condições de usar de forma crítica e consciente.

A criança, segundo o instituto, precisa ter noções de autocuidado. Se ela não tiver a noção do que existe e não deve acessar, ela poderá ter um desenvolvimento melhor e mais adequado para sua idade.

Se falamos de vídeos que estão levando a criança ao consumismo, não podemos nos esquecer da velocidade da internet. Afinal, quando você acessa, está também sendo um consumista, pagando por uma velocidade que possivelmente não esteja recebendo. Verifique sempre a velocidade de sua conexão.